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terça-feira, 12 de maio de 2009

RESPEITÁVEL

"Quando eu morrer, 0 que pode acontecer ainda neste século, vou lamentar mais o que não fui do que o que fui e fiz. Por exemplo: eu gostaria de ter sido um homem que entendesse de madeiras. Que olhasse um móvel ou um soalho e dissesse: "peroba do mato". Ou "jequitibeira". Ou "carvalho de aluvião" (Estou inventando os nomes. Eu não entendo de madeiras). Saber identificar a madeira pela cor e pelos seus veios e estrias seria como pertencer a uma confraria de poucos e partilhar com eles uma sabedoria antiga. Não queria ser carpinteiro, marceneiro, escultor ou gravurista, e muito menos madeireiro. Queria só poder passar a mão pela superfície de um pedaço de madeira, de olhos fechados, e dizer "mogno tailandês".
Ter uma intimidade com a Natureza maior e mais profunda do que a de quem conhece os nomes de flores e pássaros, o que sempre me pareceu uma erudição apenas simpática. Conhecer madeiras é mais, o quê? Respeitável. De um homem que conhece madeiras pode-se esperar uma gravidade confiável e uma sóbria apreciação da vida, das suas raízes e das suas seivas. Eu gostaria de ser lembrado assim: "Luis Fernando, Luis Fernando... Não era aquele que entendia de madeiras?" Mas agora é tarde para me especializar. A velhice é isso, depois de uma certa idade a gente só generaliza."
De Luis Fernando Veríssimo

A crônica é bem interessante, mas me fez pensar na diferença entre o pensamento comum e aquele que desenvolvemos a partir da ciência psicoanalítica.
A partir dela, a velhice pode ocorrer a qualquer idade/momento, quando não aceitamos ultrapassar maneiras de fazer as coisas ou seja, só nos permitimos situações já conhecidas/experimentadas. Não nos arriscamos a novas aprendizagens, ou melhor, não aceitamos aquele movimento desejante que nos levaria a assumir uma posição diferente.

Mára Bellini

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